Entrevista Maurícy Martin

Como foi a escolha das músicas?

Escolhi compositores com os quais eu tenho afinidade há algum tempo. Em julho deste ano realizei um recital na Sérvia só com obras  de compositores brasileiros e nos últimos anos tenho realizado inúmeros recitais em universidades americanas também com obras de compositores brasileiros que incluem Villa- Lobos que é sem dúvida a figura musical mais significativa da America Latina e Oscar Lorenzo Fernandez contemporâneo de Villa-Lobos. Embora a maior parte das obras para piano de Lorenzo Fernandez seja de cunho pedagógico para estudantes ele também compôs peças mais complexas como as Suites Brasileiras, Três Estudos em Forma de Sonatina, ou a Sonata Breve que exigem alto nível técnico para executá-las e tem grande valor artístico. Meu interesse pela obra de Lorenzo Fernandez já vem de longa data e inclusive minha dissertação de doutorado na Universidade de Boston foi sobre a Sonata Breve para piano dele.

Inclui peças de Haydn porque acredito que suas composições para os instrumentos  de teclado possuem grande criatividade e experimentação. Haydn compôs mais de 60 sonatas e outras peças avulsas  e certamente merecem ser mais executas em recitais .

A inclusão de Chopin foi inevitável, impossível ser pianista e não gostar de Chopin, que foi o grande poeta do piano do século 19th. A grande maioria das composições de Chopin acho que podemos dizer todas foram escritas para o piano como instrumento solista ou como camerista. As melodias de Chopin  são expressivas e  de profunda emoção, e sua música  tem um apelo quase universal

É o primeiro trabalho em cd?

Este é meu primeiro cd e espero que não seja o último, tenho planos de gravar outro com obras só de compositores brasileiros.

Como está representada a música clássica  brasileira.

Em termos de compositores  creio que estamos muito bem representados prefiro não mencionar nomes pois o numero é grande e cometeria alguma injustiça certamente ,  mas o que acredito estar faltando são oportunidades como editoras interessadas em publicar as obras desse compositores brasileiros não só para nós músicos brasileiros mas para músicos de outros países que tem muito interesse em nossa música.

Como professor quais as dificuldades  com o ensino de piano?

Eu trabalho normalmente com jovens pianistas que ingressam na universidade com a intenção de se tornarem pianistas profissionais.  Em alguns casos eles são extremamente talentosos, com facilidade técnica e tenho que saber motiva-los, saber qual o repertório é mais apropriado para o estágio em que estão se encontram. Em outros casos alguns não tem uma noção clara do que se tornar um musico profissional significa e exige. Muitas vezes o potencial deles não é maximizado por falta de uma consciência corporal necessária para adquirir um grau técnico elevado e necessário que possibilite  atuarem profissionalmente não só como solistas mas como cameristas ou colaboradores. Fazer com que eles entendam que técnica não é só tocar rápido, e que a técnica por si só não significa nada, mas é importantíssima para poderem ter recursos para expressarem suas ideias musicais, ou seja, serem interpretes.
Qual é o diferencial do músico clássico  brasileiro em relação a  de outros países?

Existe  diferença entre os músicos clássicos  de outros países?

Pessoalmente não creio que exista um diferencial entre o músico brasileiro e os de outros países no que diz respeito ao potencial ou a musicalidade. Mas, eu estudei quase 20 anos nos EUA e o que acredito ser uma diferença entre os dois é que em países como os Estados Unidos e alguns países europeus é que a competição  é muito maior o que não é necessariamente ruim, pois se o individuo souber lidar com ela pode ser um  fator de motivação e crescimento. Outro fator importante é a infraestrutura tanto das escolas de música assim como os teatros no exterior que ainda estão muito acima dos nossos com raras exceções.
Já tocou em recitais,concertos de câmara entre outros. Qual  exige mais dedicação do artista?

Tenho tido oportunidades de atuar como recitalista , solista com orquestras e camerista com  muitos músicos excelentes que sempre me fazem crescer. Não acredito que nenhuma dessas atividades exija mais  que a outra, mas cada uma exige em uma área mais especifica que outra, por exemplo, como recitalista e solista com orquestra o fato de se tocar de memória exige uma preparação diferente de quando se atua como camerista que por sua vez cria exigências de projeção sonora  diferente e de ter que se chegar a um consenso de interpretação.

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Entrevista Cesar Traldi Duo Paticumpá

1-Quais instrumentos de percussão toca?
Principalmente os instrumentos de percussão eruditos (aqueles utilizados em orquestras). Mas também toco instrumentos de percussão popular e bateria.

2-Prefere qual?

Prefiro os instrumentos de teclado como marimbas e vibrafones.
3-Brasil existem muitos percussionistas bons porque tão poucas escolas?

O ensino e estudo de música de maneira geral é pouco valorizado no Brasil. Não vejo isso apenas como um problema da percussão.

Acredito que esse grande número de percussionista bons no país são em decorrência das diversas manifestações culturais brasileiras que devido suas origens africanas, valorizam muito a utilização de instrumentos de percussão e acabam formando bons percussionistas de maneira informal.

4-Qual sua influencia?

Gosto de diversos estilos musicais e tento me influenciar por todos eles. Exemplos:

Na percussão erudita: Ney Rosauro, Keiko Abe, Pedro Carneiro, etc.

Música popular: Cleber Almeida, Marcio Bahia, Naná Vasconcelos, etc.
5-Cada região do Brasil existe influencia árabe ,africana, etc seu estilo está mais  influenciado por qual.?

Atualmente tenho trabalho em três linhas:

1) Música erudita contemporânea com utilização de dispositivos tecnológicos: esse assunto foi meu objeto de pesquisa de mestrado e doutorado em música.

2) Duo Paticumpá: É um trabalho que busca mesclar diversos gêneros e linguagens musicais. Música erudita, popular, regional, etc.

3) Let´s Groove: Projeto de percussão e 2 DJ´s. Trata-se de um repertório mais pop direcionado ao público jovem.
6-Qual a diferença de tocar  em espaços diferentes como recitais, etc em termo de afinação?

A afinação não muda. O que vai mudar é o estilo de música e os instrumentos que serão utilizados.
7-Muitos instrumentos estão usando a tecnologia  como está na percussão. Consegue-se  som semelhante?
Acredito que a eletrônica vem para proporcionar novas possibilidades sonoras e não para imitar ou substituir instrumentos musicais. Assim, gosto de utilizar dispositivos eletrônicos para ampliar as sonoridades dos instrumentos tradicionais e não para substitui-los.

8-Fale mais do Duo Paticumpá .

O Duo Paticumpá foi formado por mim e pelo percussionista Cleber Campos em Campinas durante nosso mestrado. O objetivo era criar um trabalho envolvendo apenas instrumentos de percussão que mescla-se música erudita e música popular e que utilizássemos  uma grande quantia e variedade de instrumentos de percussão e adaptações (utilizar coisas que não foram criadas como instrumento para tocar como panelas, tubos de PVC, etc.).
9-O estilo do Cleber Campos é muito diferente do seu?

Eu tenho uma formação mais voltada para a música erudita.

O Cleber além de ter feito o curso de música erudita, fez o curso de música popular (bateria). Atualmente ele é professor e percussão e de bateria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
10-Ao tocar instrumentos não usais como tubos, etc como achar, afinação, Ponto de tocar ,etc..
Eu e o Cleber fazemos uma série de experimentos através de improvisações até encontrarmos os sons que nos interessam. Depois que encontramos um grupo de sons a serem utilizados, começamos a compor as músicas.

Duo Paticumpá

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=31060992

Let´s Groove

http://www.facebook.com/projetoletsgroove
Atenciosamente

Cesar Traldi

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